terça-feira, 25 de setembro de 2012

Liturgia das Horas

Aluno: Antônio Dias da Costa
Prof.ª: Elza Helena Abreu
Natureza do trabalho: Fichamento  


A LITURGIA DAS HORAS CAMINHO DE SANTIDADE
Frei Alberto Beckäuser, OFM

 Em 1971 foi publicada a Liturgia das Horas renovada em quatro volumes, na sua versão portuguesa para o Brasil, segundo a mente do Concílio Vaticano II. Ela é louvor da Igreja pelo mistério de Cristo, a partir da luz, do ritmo do dia, semana e ciclo anual. Através dela estabelece-se um ritmo de conversão permanente, em crescimento, em busca da perfeição da caridade, do “sede santos porque Deus é santo” (IPd 1,16), do “sede perfeitos como vosso Pai do céu é perfeito” (Mt 5,48).

As Comunidades religiosas “representam de modo especial a Igreja orante. É imagem da Igreja que, sem cessar e em uníssono, louva o Senhor. Elas cumprem o dever de colaborar na edificação e progresso de todo o Corpo Místico de Cristo no bem das Igrejas particulares. É Jesus Cristo orando na voz da Igreja e a Igreja orando na oração de Jesus Cristo. É louvor da Igreja pelo mistério de Cristo.

      Houve tempos em que o breviário era como o símbolo do padre – pastor. E hoje? D. Clemente José Carlos Isnard escreve em sua apresentação: “Bem usada, a Liturgia das Horas dispensa livros de meditação e pode nutrir substancialmente a vida espiritual e ação apostólica de quem dela faz uso”.
      Toda a Igreja e, de modo especial, os presbíteros, são convocados para um confronto com Cristo, a Boa nova. Especial os presbíteros, pois o bispo o interrogou no dia da ordenação diaconal  – “Queres de acordo com o teu estado, perseverar e progredir no espírito de oração e, neste mesmo espírito, segundo tuas condições, realizar a Liturgia das Horas  com o Povo de Deus em seu favor e pelo mundo inteiro?”. Na ordenação presbiteral, ele reassume este compromisso. O bispo interroga: “Queres implorar conosco a misericórdia de Deus em favor do povo a ti confiado, sendo fielmente assíduo ao dever da oração?”. Cada hora que ele reza são confrontos, conversões.
           
Caminho de conversão continuada e permanente
      
    Pela Liturgia das Horas estabelece-se um ritmo de conversão permanente. Conversão em crescimento, que perpassa toda a vida do cristão em busca da perfeição da caridade, do “sede santos porque Deus é santo”. Toda a Igreja é convocada no decorrer do dia a se confrontar com Cristo, a Boa-nova. Realizam-se cinco (sete) confrontos, cinco conversões diárias.

        Laudes: surge um novo dia como dom de Deus. Sol, imagem do Senhor criador do universo. Por ele somos convidados a saudar e acolher o Deus da vida. O hino nos lança neste mistério. O salmo matinal nos leva a celebrá-lo. O cântico nos leva a viver um acontecimento pascal da história da salvação, em Cristo Jesus, e o último salmo nos convida ao louvor. A leitura breve nos propõe um programa de vida como ressuscitados em Cristo pelo batismo. O Benedictus, momento evangélico de louvor matinal, “sobre nós fará brilhar o Sol nascente...”. As preces abrem o coração para consagrar o dia ao Senhor. Brota a oração do Senhor. Abençoados pelo Senhor, podemos transformar o nosso dia numa benção para o próximo.

          Hora Média: no meio do dia e do calor, o cansaço nos convida a uma pausa. Lembram-nos os passos da Paixão do Senhor e os primeiros passos da Igreja nascente: o Pentecostes, o anúncio do Evangelho e o martírio. Os salmos são em geral de perseguição, e de calúnias, damos em Cristo voz ao que sofre hoje a paixão de Cristo. A leitura breve apresenta-se como uma exortação à fidelidade e à perseverança no grande mandamento da caridade.

        Vésperas: são os louvores vespertinos. Chegados ao fim da jornada, agradecemos a Deus pelo o bem que recebemos, a partir do grande bem da salvação, realizado por Cristo nos mistérios da tarde: seu sacrifício redentor da cruz, o novo mandamento da caridade, os sacramentos da Igreja, o próprio dom da Igreja que jorrou do seu lado aberto na Cruz. O hino nos lança nesses mistérios com a garantia do prêmio. Pelos salmos rendemos graças a Deus por todo o Bem recebido. O cântico do novo testamento constitui uma exultação pascal de louvor ao cordeiro imolado e vitorioso. Pelo Magnificat, na voz de Maria, a Igreja dá graças pela salvação recebida. As preces são de intercessão. O Pai nosso nos lança na grande oração universal.

      Completas: não se insiste no seu aspecto comunitário. Quer ser a última oração do dia, antes do repouso. Desdobra o aspecto escatológico já presente nas vésperas. Os Salmos são de reconciliação, de confiança e de esperança. Como o velho Simeão, podemos repousar em Deus. O Responsório breve, a Oração final e a Antífona de Nossa Senhora também estão na linha de confiança e esperança escatológica.

      Oficio das Leituras: é por excelência uma leitura orante da Palavra de Deus. Tem caráter de uma vigília e de louvor noturno, mas pode ser realizado a qualquer hora do dia. Tem caráter de diálogo entre Deus e o ser humano, pois a ele falamos quando oramos, a ele escutamos quando lemos os oráculos divinos.

      O exercício da oração pela Liturgia das Horas estabelece um ritmo constante de vivência do mistério pascal de Cristo, na experiência diária do tempo. Alarga-se na vivência semanal do mesmo mistério. Tem como fonte de energia o Domingo, dia que contemplamos o mistério da vida, contemplado na Ressurreição de Cristo e dos cristãos. Na segunda-feira, o Mistério de Pentecostes. Na terça-feira, a missão da Igreja que se realiza na evangelização e em todo o apostolado.  Na quarta-feira, a dimensão martirial como conseqüência do testemunho. Na quinta-feira, sobressaem os mistérios da ceia derradeira, o mandamento do amor, o sacerdócio ministerial, e a Eucaristia. Na sexta-feira, o Mistério da Paixão e Morte do Senhor, convocando para o perdão e a penitência. No sábado, a dimensão escatológica do mistério de Cristo, contemplado em Maria.

O sentido cristão dos salmos

    Os salmos e os cânticos do Antigo Testamento constituem uma verdadeira escola de oração, pedra de toque da Liturgia das Horas como caminho de santidade.

Quem salmodia se fixa na importância que o texto contém para a vida humana dos que crêem.  “Expressam muito bem as dores e esperanças, a miséria e a confiança dos seres humanos de qualquer época ou nação, sobretudo a fé em Deus, e cantam a revelação e a redenção” (IGLH 111). No saltério, cada salmo é precedido de um título que indica seu sentido e sua importância para a vida humana de quem crê.

        Os salmos constituem uma síntese orante da história da salvação. É Palavra de Deus. Neles vemos Deus falando e revelando-se na resposta orante do ser humano; nas situações mais diversas. Experiência profunda de Deus da parte do ser humano.

       A maioria dos salmos estão redigidos na primeira pessoa do singular. Devemos, então, aprender a alargar, a traduzir este eu. O eu dos salmos é a humanidade inteira e o mundo inteiro no Cristo. Diz Santo Agostinho: “Reconheçamos, pois, a nossa voz nele, e a sua voz em nós”


BIBLIOGRAFIA
BECKÄUSER, Alberto. A Liturgia das Horas, caminho de santidade: REB. 220 (1995) 788-814



Nenhum comentário:

Postar um comentário