terça-feira, 30 de outubro de 2012

A dimensão pneumatológica e trinitária do matrimônio


Autor: Antonio Dias da Costa.
4º ano de Teologia - UNISAL
A dimensão pneumatológica e trinitária do matrimônio
O amor do Pai para com toda a humanidade é constituído no Filho. E a geração do Filho provém do amor do Pai, sendo que a relação do Pai e do Filho é uma relação dialógica da qual procede o Espírito Santo. Assim o matrimônio tem uma estrutura trinitária, bem como os demais sacramentos.
O sacramento do matrimônio, como os demais, tem uma estrutura trinitária, isto é, significa a intervenção de Deus como Pai do qual procede frontalmente todo amor e todo dom; como Filho que manifesta e realiza tal amor de forma privilegiada, por sua encarnação, vida, morte e ressurreição; como Espírito que, sendo a mesma relação de amor entre o Pai e o Filho, dinamiza historicamente este amor, sobretudo na Igreja e pela Igreja, para conduzir a história à sua plenitude.[1]
Esta proposição nos revela a relação amorosa entre a Trindade Santa, a qual age no meio de todos os sacramentos da Igreja, dando à Igreja um novo Pentecostes, pois sem Ele, o Espírito Santo, a Igreja não teria essa dinamicidade para enfrentar as sombras do mundo ao longo de sua história, de modo particular de viver e testemunhar o dom do amor entre os cônjuges. Logo, “o Espírito não só é princípio e fundamento, causa e virtude dos sacramentos; é também seu fruto e seu dom”.[2]
Paulo quando escreve à comunidade de Éfeso afirma que a aliança matrimonial é igualmente uma aliança no espírito, e o amor dos esposos é um amor que encontra sua solidez no Pneuma, como princípio de renovação e comunhão definitivamente (Ef 2,22; 4,4-6).
Imaginemos um casal que vive sob a moção do Espírito, como dom, entrega e amor um para com o outro, este casal torna-se imagem da Trindade Santa, pela vida de oblação, gratuidade no Espírito, logo podemos fazer uma analogia do matrimônio com a vida de comunhão trinitária, como bem evidencia Borobio:
O matrimônio-família é o símbolo vivo que melhor exprime o mistério da vida trinitária: assim a unidade na diversidade singular das pessoas divinas encontra seu reflexo e imagem na unidade que respeita a singularidade de marido e mulher; a comunhão no amor trinitário que cria a perfeita comunidade, é o modelo que simboliza na comunidade no amor matrimonial-familiar; a doação participativa do amor para o bem universal, significa igualmente a referencia trinitária de um amor esponsalício, que não pode encerrar-se em si mesmo, mas que se abre nos filhos à humanidade inteira.[3]
         Esta analogia da vida matrimonial-familiar com a Trindade Santa, mostra que ambos abrem-se para viverem intensamente uma relação dialógica e amorosa com o outrem, totalmente diferente, mas que tem um projeto de vida em comum: a salvação das almas, a educação e a vivência do amor entre os mesmos, fecundando o mundo com o germe do agradável perfume da Trindade: o amor incondicional, livre e gratuito pela humanidade, criada à sua imagem e semelhança. E por fim, esta relação trinitária, ou do casal humano para viver a dimensão gratuita e oblativa do amor, tem um fim último, a vida eterna em Deus. Vejamos, portanto, a dimensão escatológica do matrimônio cristão.



[1] Ibid., p. 471.
[2] Ibid., p. 473.
[3] Ibid., p. 473.

Nenhum comentário:

Postar um comentário