terça-feira, 30 de outubro de 2012

O Matrimônio como sacramento da Igreja


Autor: Antonio Dias da Costa
4º Teologia - UNISAL
O Matrimônio como sacramento da Igreja
A Igreja foi percebendo que o matrimônio continha e contém toda uma estrutura sacramental, captando o “mistério” da “graça” de Deus que nele se faz presente. Ele é um sinal visível da doação realizada e do amor vivido na Encarnação do próprio Deus em Cristo. É Jesus, na verdade, “o sacramento” de Deus. A Igreja por sua vez, é sacramento de Cristo.
Neste sentido Borobio nos afirma:
O sacramento em sentido pleno não é o simples matrimônio natural, nem o mero matrimônio religioso, mas o matrimônio dos batizados crentes. Batismo, fé e pertença à Igreja não só são pressupostos externos para a sacramentalidade plena do matrimônio, mas fundamento de sua verdadeira qualificação cristã. A forma eclesial do matrimônio é aquela forma concreta (não absolutamente necessária, mas sim totalmente coerente e sempre desejável), na qual a fé, e o batismo e a pertença à Igreja fazem do matrimônio um verdadeiro e pleno sacramento.[1]
O homem iniciado na fé, por meio do batismo tem consciência de que não pode estar em plena comunhão se não participa efetivamente da comunidade eclesial, se não tem um compromisso vital com as situações mais urgentes da vida dos outros irmãos. Logo, ele está sempre em conexão e comunhão com outros irmãos de fé. Assim, o matrimônio é esta relação de compromisso entre os cônjuges, mas sempre em busca de evidenciar os valores do matrimônio como sinais visíveis da presença de Deus.
O Concílio Vaticano II na Lumen Gentium afirma:
E, porque a Igreja é em Cristo como que sacramento, isto é, sinal e instrumento, da união íntima com Deus e da unidade de todo o gênero humano, retomando o ensino dos concílios anteriores, propõe-se explicar com maior clareza aos fieis e ao mundo inteiro, a sua natureza e a missão universal.[2]
Logo, a celebração deste sacramento entre os batizados exprime para a humanidade a aliança de Deus com os homens, ao mesmo tempo, demonstra a sacramentalidade e a indissolubilidade como algo essencial para viver uma vida matrimonial, como sacramento da Igreja, como nos afirma o Papa João Paulo II na Familiaris Consortio:
Radicada na doação pessoal e total dos cônjuges e exigida pelo bem dos filhos, a indissolubilidade do matrimônio encontra a sua verdade no desígnio que Deus manifestou na Revelação: Ele quer e concede a indissolubilidade matrimonial como fruto, sinal e exigência do amor absolutamente fiel que Deus Pai manifesta pelo homem e que Cristo vive para com a Igreja.[3]
Quando os cônjuges estabelecem um pacto matrimonial é para todo o sempre, ou seja, é para a vida toda e por toda a vida, sendo fieis ao propósito e ao sacramento que receberam de Cristo por meio da Igreja, sinal visível do amor de Deus pela humanidade.
O matrimônio forma uma Igreja em “pequenas proporções”, ou seja, a Igreja doméstica. Assim, por meio das famílias formamos a Igreja universal. Assim, este sacramento é uma realidade partícipe da obra da salvação por meio de Jesus Cristo na história da humanidade, marcada no amor e pelo amor, portanto, os casais devem testemunhar ao mundo a pertença ao mistério da salvação, como nos assegura a Familiaris Consortio:
Os esposos são, portanto, para a Igreja o chamamento permanente daquilo que aconteceu sobre a cruz: são um para o outro, e para os filhos, testemunhas da salvação da qual o sacramento os faz participar. Deste acontecimento de salvação, o matrimônio, como cada sacramento, é memorial, atualização e profecia.[4]
Portanto, os esposos tendo recebido da Igreja este sacramento devem lutar constantemente para viverem numa reciprocidade do amor, da fidelidade e do testemunho capaz de levar para Deus todos aqueles que fazem parte deste núcleo familiar e os habitantes deste mundo.


[1] Ibid., p. 464.                                
[2] CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA Lumen Gentium sobre a Igreja. In: CONCÍLIO VATICANO II. 1962-1965. Vaticano II: mensagens, discursos, documentos. São Paulo: Paulus, 2007, nº 1, p. 102.
[3] JOÃO PAULO II. Exortação Apostólica Familiaris Consortio. São Paulo: Paulinas, 1981, n. 20, p. 37.
[4] Ibid., n. 13, p. 25.

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