sexta-feira, 30 de novembro de 2012

ADVENTO


PE JOSÉ CARLOS DE GÓIS
Parte de sua síntese teológica:
A Comunidade cristã 
celebra o mistério pascal de Jesus Cristo 
no decorrer do ano litúrgico
UNISAL - Campus Pio XI
2009

Advento: origem e atualidade

Com a celebração do Natal a Igreja passou a destacar o nascimento de Jesus Cristo e a exemplo da páscoa que já era antecedida por quarenta dias de preparação, a Igreja “fez preceder as festividades natalícias com um período de preparação composto de quatro ou seis semanas.”[1] Este período passou a ser designado de advento.
O termo Adventus (parousia) é uma palavra cristã de origem profana. Do ponto de vista cultual, significava a vinda anual da divindade em seu templo para visitar seus fiéis: o deus, cuja estátua era proposta ao culto, permanecia assim no meio dos seus enquanto durava a solenidade. Nas obras cristãs dos primeiros séculos, especialmente a Vulgata, Adventus torna-se o termo clássico empregado para designar a vinda de Cristo entre os homens: sua vinda na carne, inaugurando os tempos messiânicos, e sua vinda gloriosa, que coroará a obra redentora no fim do mundo.[2]
A concepção cristã do advento como preparação para a vinda de Cristo se deu aos poucos no Ocidente, mais especificamente na França ou na Espanha, nos séculos IV e V. Em Roma, apenas a partir do século VI. Ambas as regiões perceberam a necessidade de uma preparação para as festas de Natal, com exceção de Roma que tinha outro foco.
A sua característica ascética parece dever-se ao fato de ser um tempo dedicado à preparação dos catecúmenos para o batismo. No fim do século VII, em Roma, encontra-se um Advento litúrgico de cinco domingos, provindo, talvez, da Gália ou de Ravena ou da Itália meridional.[3]
Inicialmente, a ascese[4] era destinada principalmente aos catecúmenos e, o tempo do advento, a exemplo da quaresma, era o tempo de última preparação intensiva dos catecúmenos para o mergulho nas águas batismais a dar-se não na Páscoa, mas na Epifania. o advento litúrgico de Roma estava mais centrado na preparação à segunda vinda de Cristo (Mt 24,27) do que para o natal. No decorrer da história é que estas duas dimensões foram unidas.
O Tempo do Advento possui dupla característica: sendo um tempo de preparação para as solenidades do Natal, em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens, e também um tempo em que, por meio desta lembrança, voltam-se os corações para a expectativa da segunda vinda do Cristo no fim dos tempos. Por este duplo motivo, o Tempo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa.[5]
Desde os séculos X e XI o tempo do advento é de 4 domingos. Seu início é 27 de novembro e 03 de dezembro e, mesmo que o quarto domingo caia em 24 de dezembro, ele não será suprimido. Com este tempo a Igreja inicia seu novo ano litúrgico.


A oração no Advento: alguns elementos
Como foi dito, Advento é o tempo de preparação para as solenidades do Natal do Senhor. Comemora-se a primeira vinda do filho de Deus entre os homens e a expectativa da segunda vinda de Cristo no fim dos tempos. Segue o prefácio do advento I que destaca a dimensão das duas vindas de Cristo.
Revestido de nossa fragilidade, ele veio a primeira vez para realizar seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação. Revestido de sua glória Ele virá uma segunda vez para conceder-nos em plenitude os bens prometidos que hoje, vigilantes, esperamos (MR p. 406).
A oração do dia do quarto domingo do Advento, às vésperas da celebração do Natal, além de destacar a expectativa do Senhor que vem, também apresenta a sua dimensão pascal.
Derramai, ó Deus, a vossa graça em nossos corações para que, conhecendo pela mensagem do anjo a encarnação de vosso Filho, cheguemos, por sua paixão e cruz, à glória da ressurreição (MR p. 132).
Observa-se que mesmo sendo uma oração em preparação para o natal, em que se celebra o nascimento de Jesus, ela não deixa de realçar a dimensão pascal da paixão-morte e ressurreição de Jesus. Na oração, esta dimensão também está associada ao desejo dos fiéis de alcançarem a glória celeste fazendo as mesmas experiências de Jesus Cristo.
Noutras orações do Advento também é destacada a esperança no Cristo que vem. A esperança se expressa com especial intensidade na missa da Vigília de Natal. A antífona desta missa diz: “Hoje sabereis que o Senhor vem e nos salva; amanhã vereis a sua glória” (MR p.151).





[1] Cf. Bergamini, Augusto. Ano litúrgico, p. 59.
[2] Apud, Jounel, Pierre. O ano litúrgico, p. 92.
[3] Bergamini, Augusto. Cristo, festa da Igreja, p. 178.
[4] Entende-se por ascese o conjunto dos esforços mediante os quais se quer progredir na vida moral religiosa. Em seu sentido originário indicava qualquer exercício - físico, intelectual e moral – realizado com certo método visando a um progresso. Goffi, Tullo. Ascese. In: _____.  Dicionário de Espiritualidade. São Paulo: Paulinas, 1989,  p. 50.
[5] Normas universais sobre o ano litúrgico e o calendário, n. 39.

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