sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Morte e Ressurreição


A base da fé de todo cristão é a Ressurreição de Cristo, conforme nos atesta o apóstolo Paulo: “Se Cristo não ressuscitou, então a nossa pregação é vã e também é vã a nossa fé (1 corintios 15, 14).

Assim, não podemos desconsiderar a realidade de que a ressurreição de Cristo – e o próprio Cristo ressuscitado – e princípio e fonte da nossa ressurreição futura: Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram... Do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida (1 Coríntios 15, 20-22) Catecismo da Igreja Católica 655.

E como podemos entender a morte?
A morte e o fim da peregrinação terrena do homem, do tempo da graça e misericórdia que Deus lhe oferece para realizar a sua vida terrena segundo o plano divino e para decidir o seu destino ultimo. Quando acabar a nossa vida sobre a terra, que é uma, não voltaremos  a outras vidas terrenas.  Os homens morrem uma só vez  (Hebreus 9, 27). Não existe reencarnação depois da morte (Catecismo da Igreja Católica 1013)
E como nos lembra uma oração pelos fiéis defuntos: “para os que creem em Vós, Senhor, a vida não acaba, apenas se transforma, e, desfeita a morada deste exilio terrestre, adquirimos no céu uma habitação eterna (Catecismo da Igreja Católica 1012)

Mas após a morte todos irão para o Céu?
O desejo de Deus é que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade(1 Timóteo), mas, infelizmente, muitos optam livremente por se afastarem de Deus durante sua vida terrena, a estes cabe a condenação.
A doutrina da Igreja afirma a existência do inferno e a sua eternidade. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente, após a morte, aos infernos, onde sofrem as penas do inferno, o fogo eterno (Catecismo da Igreja Católica 1035).
Mas a doutrina da Igreja fala também de um fogo purificador, destinado às almas que morrem na graça e na amizade de deus, mas não de todo purificados, embora seguros da salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu (Catecismo da Igreja Católica 1030) Esta é a doutrina do Purgatório.

Esta doutrina apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, de que já fala a Sagrada Escritura: “por isso (Judas Macabeus) pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres das suas faltas (2 Macabeus 12, 46). Desde os primeiros tempos, a igreja honrou a memória dos fiéis defuntos, oferecendo sufrágios em seu favor, particularmente o sacrifício eucarístico para que, purificados, possam chegar a visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também a esmola, as indulgencias e as obras de penitencia a favor dos defuntos (Catecismo da Igreja Católica 1032).

O CÉU é para os que morrem na graça e na amizade de Deus e estiverem perfeitamente purificados, viverão para sempre com Cristo. Serão para sempre semelhantes a Deus, porque verão tal como Ele é (1João 3, 2) ( Catecismo da Igreja Católica 1023)

E o que acontecerá com o nosso corpo na ressurreição?
Uma das coisas que nós temos certeza sobre o fim do mundo é que, quando a história dos homens acabar, os corpos de todos os que viveram se levantarão dos mortos para unir-se novamente às suas almas: é a Ressurreição da carne. Já que foi o homem inteiro, corpo e alma, quem amou a Deus e o serviu, mesmo à custa da dor e do sacrifício, é justo que seja o homem inteiro que goze da união eterna com Deus, que é a recompensa do amor.
Já que o homem inteiro quem rejeita a Deus ao morrer sem pecado, impenitente, é justo que o corpo partilhe com a alma a separação eterna de Deus, que o homem como um todo escolheu.
O nosso corpo será constituído de tal maneira que ficará livre das limitações físicas que o caracterizam neste mundo. Já não precisará de alimento ou bebida, e, de certo modo, será espiritualizado. Além disso, o corpo dos bem-aventudados será glorificado, possuirá uma beleza e perfeição que será participação da beleza e perfeição da alma unida a Deus.
Cristo ressuscitou com o seu próprio corpo: vede as minhas mãos e os meus pés. Sou eu mesmo (Lucas 24, 390; mas não regressou a uma vida terrena. De igual modo nEle todos ressuscitarão com o seu próprio corpo, com o corpo que agora tem, mas esse corpo será transformado em corpo glorioso, em corpo espiritual (1Coríntios 15, 44).

Alguém poderia perguntar: “Como ressuscitam os mortos? Com que espécie de corpo voltam eles? Insensato! O que tu semeias não volta a vida sem morrer. E o que semeias não é o corpo que há-de vir, e sim um simples grão(...) O que é semeado sujeito a corrupção ressuscita incorruptível; os mortos ressuscitarão incorruptíveis(...) E, de fato, necessário que este ser corruptível se revista de incorruptibilidade, que este ser mortal se revista de imortalidade (1Corintios 15, 35-37. 42. 52-53).
Como o corpo da pessoa em que a graça habitou foi certamente Templo de Deus, a Igreja sempre mostrou uma grande reverencia pelos corpos dos fiéis defuntos: sepulta-os com orações cheias de afetos e reverencia túmulos bentos especialmente para esta finalidade.

Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá. Crês nisto? (João 11, 25-26)

Assim, nós Católicos Apostólicos Romanos, cremos no que nos foi revelado na Sagrada Escritura. A vida dos justos está nas mãos de Deus, nenhum tormento os atingirá (Sabedoria 3, 1).
Ó meu bom Jesus, perdoai-me,
Livrai-me do fogo do inferno,
Levai as almas todas para o céu,
E socorrei as que mais precisarem
De vossa infinita misericórdia!

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