Valdinei Caes
“Es mucho más difícil llegar a conocer a Dios. Dios
no es algo externo, como uma esposa a la que puedo preguntarle si es que está
contenta comigo.”
(KIERKEGAARD, 2008, p. 163).
Durante o curso de teologia (2005-2009),
certa vez, um professor sabiamente dissera em sala de aula que: “o estudante de
teologia que não encontra Deus no seu quarto, tampouco O encontrará na capela
ou em seus estudos particulares ou ainda na sala de aula”. Na época, confesso
que não compreendi a profundidade e a dimensão dessas palavras. Mas o que elas
significam?
O Evangelho de São Mateus 6:6 reza:
“Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechando tua porta, ora a teu
Pai que está lá, no segredo”. O quarto pode ser entendido como a interioridade,
o lugar da intimidade. O catecismo da Igreja católica afirma que este lugar de
intimidade é a consciência do homem. “A
consciência é o núcleo secretíssimo e o sacrário do homem, onde ele está
sozinho com Deus e onde ressoa sua voz”. (CIC, §1776).
Kierkegaard,
teólogo dinamarquês, do século XIX, nessa perspectiva, destaca que este lugar
em que o homem está sozinho e no encontro consigo é a interioridade, e que
“Deus é um sujeito que, enquanto tal,
só existe interiormente para a subjetividade” (KIERKEKEGAARD, 2008, p. 202). Em outros termos, se o homem tenta encontrar
Deus na objetividade, isto é, nas coisas, fatos e pessoas que o cercam, “levará
tempo, talvez um largo tempo” (KIERKEKEGAARD, 2008, p. 202), para encontra-Lo, senão O encontrar, em primeiro lugar, em sua interioridade.
O encontro
com Deus, em primeiro lugar deve acontecer na intimidade do homem, para isso,
porém, em oração, será preciso ‘fechar a porta’ para tudo aquilo que nos
distancia d’Ele, e no encontro consigo desejar encontrar-se com Deus, porque
Deus está na interioridade, na subjetividade, ou melhor, no íntimo do homem e
ali, no silêncio escutar o ‘ressoar de sua voz’. Para escutar o ressoar dessa
voz, se faz necessário fechar a porta do seu quarto e silenciar. Kierkegaard
(2008, p. 199) ressalta que: “É só de forma momentânea que o indivíduo
particular, enquanto existente, pode estar em unidade ao infinito [Deus] e ao
finito [homem], que transcende o existir. Este momento é o instante da paixão”.
Santo
Agostinho (354-430), já havia dito que Deus está: “mais
íntimo a mim mesmo de quanto o seja eu próprio” (Cf. AGOSTINHO, Confissões, III, 6, 11). O fato de
Deus ser ou estar ‘mais íntimo a mim mesmo’, como afirma Sto. Agostinho, não é
algo que se deve levar em consideração para se conhecer a Deus com maior
facilidade. Muito pelo contrário, segundo Kierkegaard (2008, p. 163), isso faz
com que se torne “muito mais difícil chegar a conhecer a Deus”, porque “Deus
não é algo externo, como uma esposa à quem se possa perguntar-lhe se está
contente comigo”.
Embora seja ‘difícil chegar a conhecer
a Deus’, porque Ele faz ressoar sua
voz em nossa intimidade, quando nos encontra em silêncio em nossa consciência e sozinho com Ele. Muitas vezes tentamos encontra-Lo
em nossa exterioridade, quando na realidade Deus existe interiormente. Na
exterioridade, no máximo, encontraremos sua imagem e semelhança (Gn 1:27).
Portanto, convictos de que Deus existe
em nossa interioridade, ao fecharmos a porta de nosso quarto para orarmos,
peçamos a Ele, que é mais íntimo do
que nossa própria intimidade, para que nos ajude a escuta-Lo.
REFERÊNCIAS
KIERKEGAARD, Søren Aabye. Postscriptum no científico y definitivo a migalhas filosóficas.
Trad. Nassim B. Jordán. Ciudad de México: Universidad Iberoamericana, 2008.
AGOSTINHO, Santo. Confissões. Digitação: Lucia M. Csernik, 2007.
BÍBLIA, Sagrada. Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus: 2002.