sexta-feira, 3 de maio de 2013

A VIRGEM MARIA NO EVANGELHO DE SÃO MATEUS



1 - ‘...da qual nasceu Jesus...’(Mt 1,16)
            Considere isto uma ‘aula de leitura’. Vamos aprender como ler dos mesmos autores humanos do Novo Testamento. Começamos simplesmente por entender o ‘sentido literal’ ou literário destes textos, o que as mesmas palavras escritas no texto nos dizem de Maria.
           A primeira aparição de Maria no Novo Testamento está no primeiro capítulo, ao final de uma longa genealogia com que começa o Evangelho de São Mateus. Ela é apresentada assim: ‘Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo’ (Mt1,16).
            Temos que ler estas palavras no seu contexto. São as últimas palavras da lista de antepassados que São Mateus reproduz para demostrar que Jesus é o “Cristo, filho de Davi, filho de Abraão”(Mt1,1). Então, para entender o sentido literal deste texto sobre Maria, precisamos saber algo sobre o Cristo, e também sobre Davi e Abraão.
            Abraão foi o pai do povo escolhido de Deus, Israel. Deus fez uma aliança com ele prometendo que por sua descendência, ‘serão abençoadas todas as nações da terra’ (Gn22,18).
            Deus prometeu a Abraão que reis sairiam de sua linhagem (Gn1,6). Mais tarde Deus jurou ao Rei Davi que seu reino nunca terminaria, que o filho de Davi seria Seu filho e reinaria para sempre, não somente em Israel, mas também, sobre todas as nações (cf. 2Sm7,12-13; Sl89,27-28; Sl 132, 4-5.11-12). Mas o reino de Davi entrou em colapso e o povo foi levado ao exílio (cf. Mt 1,11; 2Rs24,14).
            Desde então, os profetas de Israel ensinaram a esperança de um ‘Cristo’ (o ‘messias’ em hebraico). Se esperava que ele seria o filho de Deus prometido a Davi, que livraria as tribos dispersas de Israel e os reuniria em um novo e eterno reino que seria a luz das nações (cf. Is 9,5-6; 49,6; 55,3; Ez34,23-25.30; 37,25).
            Lidas neste contexto, as poucas palavras que São Mateus escreve sobre Maria não são triviais. O evangelista, com uma frase curta, pequena, pôs Maria exatamente no centro ‘da história de Israel’ a história do povo de Deus. Dela nasceu o Cristo através de quem Deus cumpria as promessas de sua aliança com Abraão e Davi.
            Como mãe do Rei-Messias de Israel, Maria necessariamente está colocada no centro da história humana, porque o fruto do seu ventre será a fonte da salvação do mundo. Por Cristo, nascido de Maria, Deus concedeu suas bênçãos divinas sobre todos os povos e nações.

2 – ‘... pelo Espírito Santo’ (Mt 1,18)
            São Mateus continua esse tema nos versículos que seguem ao dizer que Maria ‘se achou grávida pelo Espírito Santo’ (Mt1,18-25). Nos conta que a concepção de Maria pelo Espírito Santo cumpre a promessa que Deus pelo profeta Isaias – que uma virgem conceberá e dará a luz um filho e porás por nome Emanuel, que traduzido significa, ‘Deus conosco’ (cf. Mt1,18.22-23; Is7,14).
            Esta era uma profecia enigmática. Não conhecemos nada que no tempo de Jesus relacionara esta profecia com a vinda do Messias. Alguns rabinos disseram que a profecia se cumpriu na vida do profeta Isaias, quando o rei Ezequias nasceu.
            Ezequias foi um poderoso reformador que fez o que agrada aos olhos de Deus, imitando tudo o que fizera seu pai Davi (cf. 2 Rs18,3). Além disso, diz a Escritura, ‘o Senhor estava com ele’ (cf. 2Rs 18,1-7; 2Cr 29-32).
            Mas são Mateus parece nos dizer que com Ezequias quando mais somente foi um parcial e incompleto cumprimento da profecia de Isaias. O cumprimento perfeito veio com a concepção de Jesus no ventre de Maria por meio do Espírito Santo.
            Maria é ‘a que dará a luz’, como disse Miquéias, na profecia que são Mateus cita (cf. Miq 5,1-2; Mt 2,6). Por Maria, a mãe do muito esperado Messias, ‘Deus está conosco (Emanuel)’. De novo, para entender o sentido literal desta passagem, temos que entender profundamente o contexto que São Mateus assume do Antigo Testamento.
           São Mateus espera que seus leitores escutem nestas palavras a promessa que faz eco em toda a história da salvação – a promessa da divina presença, que Deus um dia viria habitar com seu povo (cf. Is 43,5; Zc 8,23; 2 Cor 6,16-18).
          Se trata de uma das grandes esperanças messiânicas inspiradas pelos profetas. Por exemplo, o profeta Ezequiel profetizou um novo Rei Davi e ‘uma aliança eterna’ em que Deus prometia: ‘a minha Habitação estará no meio deles: eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo’ (Ez 37,24-28; cf. Ap 21,3).
         Escutemos ecos, da profecia do Emanuel de Isaías por todo o Evangelho de São Mateus. Jesus repete várias vezes que Ele estará ‘conosco’ até o fim dos tempos (cf. Mt 18,20; 25,40.45; 26,26-28). As últimas palavras de Jesus, no primeiro Evangelho também fazem eco da promessa: ‘estou convosco todos os dias, até o fim do mundo’ (Mt, 28,20).
            A identificação em Mateus da Virgem Maria com a virgem profetizada por Isaias, uma vez mais, a coloca no centro do plano salvífico de Deus para Israel e para o mundo.
            O sentido literal do texto é que Maria é o sinal divino’ que Deus havia prometido há muito tempo, o sinal de sua lealdade para com a aliança eterna com Davi, o sinal de que Ele veio cumprir o seu plano para com toda a criação. 

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