terça-feira, 28 de maio de 2013

A VOSSA TRISTEZA SE CONVERTERÁ EM ALEGRIA!

Jesus diz no Evangelho segundo João 16,16-20: Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria.
Gostaria que meditássemos bem no que estas palavras de Jesus significam para nós. Nós que constantemente em nossa vida passamos por tribulações, tristezas, angustias, decepções.
A sua tristeza se converterá em alegria. Com fé, confiança, esperança entrega-te a Deus. Pois Jesus vai subir para o Seu e o nosso Pai. Para o Seu e nosso Deus. Pare de te maltratar e chorar. Preste atenção nestas palavras de Jesus: A vossa tristeza se transformará em alegria! É promessa de Deus, na pessoa do Seu próprio Filho Nosso Senhor Jesus Cristo. Daí que seja uma realidade na vida de todos aqueles que crêem em Jesus Cristo Salvador. Ele é o único que sabe do tamanho da tua tristeza, da tua agonia. E nesta noite, com sua palavra Ele vem para te fortalecer, te encorajar. Saiba que a tua tristeza se transformará em alegria! Embora agora estejas passando por uma situação difícil, não se preocupe. Jesus já percebeu e por isso te diz: vós agora sentis tristeza, mas eu hei de ver-vos novamente e o vosso coração se alegrará, e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria.
Meu irmão(a), não existe tristeza no coração do homem, da mulher que não possa ser transformada em alegria por Jesus. No entanto, é fundamental confiarmos no amor de Deus. É preciso apegar-se a esse amor de forma sobrenatural, mesmo que as pessoas a sua volta te incentivem a desistir dos teus sonhos, mesmo que elas coloquem barreiras naquilo que tu tens buscado, não importa, Deus é maior, confie no Senhor e somente assim essa tristeza vai se transformar em alegria. E esta alegria não te será tirada por ninguém. Ela será a alegria plena.
Sabemos que ao passarmos por alguma dificuldade, ela parece que não vai ter fim! Não é mesmo? Mas olhe quantas tristezas tu já superaste e eu creio que em todas elas tu pensavas não ser possível. Ah eu não vou sair dessa. A minha casa caiu. Não  conseguirei mais levantar. Não vai passar, dessa vez eu não vou aguentar. Mas tu as superaste com força e coragem. Sobretudo com Fé naquele que venceu o mundo.
Muitas vezes no momento da tristeza fazemos perguntas ao Senhor, o porquê disso, o porquê daquilo? Mas de novo Senhor? E porque só eu? Será que não posso ter sossego?
Quero deixar bem claro para você meu irmão e  minha irmã: Se você deixar Jesus entrar no teu coração, se você confiar totalmente nele, ele te dirá: No mundo sofrereis tribulações. Mas tende fé. Eu venci o mundo e comigo também vós vencereis. Portanto, é necessário que nossa confiança esteja somente no Senhor nosso Deus. Tire tua confiança do homem, confie apenas no Senhor, porque ele tem o poder de mudar tudo, ele é o Senhor da vida, da alegria, da esperança.
Neste, neste momento da tua vida faça suas as palavras de São Paulo: Quando sou fraco é que sou forte! Isso é confiar no Senhor, me torno fraco quando reconheço que só Jesus pode mudar a minha vida, mas esse reconhecer-se fraco diante do poder de Deus, na verdade me leva a ser forte, porque quando penso e ajo assim eu estou colocando toda minha confiança no Senhor. Pois acredito que não serei eu quem vai mudar a situação, mas é o próprio Senhor 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

O PRINCÍPIO MARIANO NA IGREJA



Dom Murilo S.R. Krieger, scj
Arcebispo de Florianópolis
           

 1. Princípios fundamentais da Igreja. O filósofo e teólogo suíço Hans Urs von Balthazar (1905 - 1988) procurou responder à pergunta: quais são as dimensões fundamentais da Igreja? Isto é, qual é o seu perfil, o que pertence à sua natureza? Para apresentar as intuições de sua reflexão, o sacerdote irlandês Brendan Leahy escreveu recentemente o livro: O PRINCÍPIO MARIANO NA IGREJA, traduzido para o português e publicado, em 2005, pela Cidade Nova.
2. Princípios constitutivos da Igreja. Estudando a vida das primeiras comunidades cristãs, von Balthazar identificou quatro princípios que constituem a estrutura fundamental da Igreja: o princípio petrino, o princípio paulino, o princípio joanino e o princípio jacobita. O teólogo suíço concluiu, porém, que a Igreja tem também um outro princípio, que abraça esses quatro: o princípio mariano. Segundo ele, esse princípio diz respeito àquela dimensão da Igreja que continua e ressoa o sim de Maria a Deus. “É um sim repetido por todo o povo de Deus – leigos e clero – e ecoa por meio deles. (...) No princípio da aventura evangélica, ele depara-se com a Mulher do Evangelho na pequena casa de Nazaré, onde todo o cristianismo encontra, por assim dizer, sua centelha inspiradora” (p. 14). É preciso, pois, olhar para essa mulher, verdadeiro modelo para todos.
            2.1 - Princípio petrino: é o mais conhecido; lembra a figura de Pedro. Referir-se a Pedro é direcionar o pensamento para a proclamação do querigma e sua realização concreta na vida cristã. “A continuação da missão de Pedro tem a ver com o Credo pregado de maneira ordinária em todo o mundo mediante o ministério pastoral. É a dimensão hierárquica e institucional da Igreja, que representa a dimensão “objetiva” de santidade” (p. 74).
            2.2 - Princípio paulino: “é ligado ao caráter missionário de Paulo, o apóstolo dos gentios, aquele que se tornou cristão por pura graça, sem méritos e obras, rompendo irremediavelmente com o passado. Podemos ver a missão de Paulo continuar na irrupção vinda do alto, imprevista e sempre nova, de novos carismas na história da Igreja. É um princípio profético e celeste, no qual estão implicados os grandes carismas missionários, as grandes conversões, as grandes visões com que a Igreja é brindada pelas palavras ditadas pelo Espírito” (p. 75).
            2.3 - Princípio joanino: “João é o discípulo predileto, o evangelista do Mandamento Novo”. A missão de João é uma missão de unidade. “Essa dimensão da Igreja é encarnada por todos aqueles que vivem os conselhos evangélicos e cuja missão é o amor contemplativo: eles comunicam a mensagem de que, no amor, tudo é possível” (p. 75).
            2.4 - Princípio jacobita: é baseado em Tiago, que parece ter ocupado o lugar de Pedro quando este deixou Jerusalém (At 12,17). “No Concílio dos Apóstolos ele conduziu a moção decisiva para a reconciliação entre cristãos, judeus e gentios (At 15,13-21). Ele representa, sobretudo, a continuidade entre a Antiga e a Nova Aliança, representa a Tradição, a legitimidade da letra da Lei contra um espiritualismo puro. (...) É aquela dimensão eclesial que afirma o sentido histórico das coisas, a continuidade, a Tradição, o direito canônico. Esse princípio é personificado naquelas pessoas cuja missão é recordar a necessidade de estarmos ancorados na primeira experiência e a importância de retornarmos às origens da nossa história cristã para reencontrar nova luz para continuar” (p. 77).
Cada um desses princípios permanece na Igreja; não se trata de princípios isolados, pois cada um deles participa de todos os outros.
            2.5 - Princípio mariano: Maria personifica a Igreja. Ela “é a mãe que gerou o Verbo, de quem a Igreja nasce, e é esposa que coopera com Cristo no evento da Redenção. Maria é, portanto, aquele princípio da Igreja que abraça tudo” (p. 76). Nesse princípio, todos os demais perfis da Igreja encontram sua unidade.   
              Se cada um dos quatro primeiros princípios fosse absoluto, seria uma perda para a Igreja. Dominando o elemento jacobita, baseado na importância da lei e da Tradição, acabaríamos fundamentalistas, apegando-nos a formas obsoletas; se o mesmo acontecesse com a dimensão petrina, a Igreja passaria a ser vista como uma mera organização; caso prevalecesse a característica paulina da liberdade do Espírito, seria considerado importante aquele que fosse popular e que estivesse na moda; o domínio do princípio joanino daria como consequência a busca do amor como “experiência” e uma atenção unilateral questões sociais (cf. p. 156).
            Existe uma “tensão” permanente na vida da Igreja, pois esses quatro princípios precisam coexistir. Mas é justamente essa a missão de Maria na Igreja: uni-los. É em Maria que se articulam e se unem os diversos princípios da vida da Igreja, pois foi nela que Deus voltou seu olhar para o mundo e se revelou como Trindade (cf. pp. 156-157).
            3. Os mistérios de Maria e sua espiritualidade. Se Maria é o princípio que une os demais, o que seria essencial nela? Para responder a essa pergunta, precisamos contemplar os doze mistérios de Maria que, para von Balthasar, são como que “estrelas”do céu (pp. 79-80):
1.      A Anunciação (Lc 1,26-38)
2.      A gravidez (Lc 1; Mt 1)
3.      A visita a Isabel e o canto do Magnificat (Lc 1,39-56)
4.    O nascimento de Nosso Senhor ( Mt 2,1-12; Lc 2,1-20)
5.      A apresentação no Templo (Lc 2,21-40)
6.      A fuga para o Egito (Mt 2,13-23)
7.      O reencontro de Jesus no Templo (Lc 2,41-52)
8.      As bodas de Caná (Jo 2,1-11)
9.      A rejeição de Maria e dos irmãos (Mt 12,46-50; Mc 3,31-35; Lc 8,19-21)
10.  A bênção dos fiéis (Lc 11,28)
11.  Maria aos pés da cruz (Jo 19,25-28)
12.  Maria em oração com a Igreja (At 1,14)
4. A espiritualidade das espiritualidades. Para von Balthasar, a “espiritualidade das espiritualidades”na Igreja é mariana – entendendo-se espiritualidade cristã como um modo de viver. “A vocação de cada cristão e da Igreja inteira é – por assim dizer – “viver” Maria em sua transparência para com Cristo, a ponto de se poder afirmar: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). A espiritualidade mariana tem a ver com o deixar que Cristo se forme em nós, por obra do Espírito Santo. A espiritualidade pessoal de Maria está centrada no seu sim transparente a Deus, e é esse o elemento comum a todos na Igreja, antes mesmo da diferenciação das espiritualidades específicas” (p. 191-192). Isso implica três dimensões fundamentais:
4.1 - Abertura ao mistério do amor de Deus: isto é, disponibilidade diante de qualquer coisa que Deus queira. “Esse é o ponto fundamental da espiritualidade cristã – saber e crer que Deus nos escolheu e amou, e que nós podemos escolhê-lo respondendo ao seu chamado. É o nosso sim a Deus dia após dia” (p. 192), ficando feliz, como Maria, com tudo o que o Senhor dispor para nós.
4.2 - Resposta à Palavra: “a espiritualidade de Maria está centrada na Palavra que se faz carne, que se faz Eucaristia, que se faz Igreja... Viver essa espiritualidade significa colocar em prática a Palavra de Deus, a ponto de participar em nossa vida cotidiana da kénosis de Cristo na cruz, construindo assim a comunhão da Igreja” (p. 192).
4.3 - Uma existência materna e “cristófora”: Maria é a Theotókos. Ela carrega Deus. Podemos descrever sua vida como “uma existência cristófora”. Cada pessoa que recebeu o batismo foi escolhida e chamada para deixar que Cristo seja gerado em si e para levar Cristo Ressuscitado aos outros. Viver essa “existência cristófora” implica viver alguns elementos-chave da espiritualidade de Maria: a escuta do Espírito Santo, o amor ao próximo, à Eucaristia e à Igreja (cf. pp. 192-193). 
5. Mãe da Igreja. A vida de Maria é feita de oração e contemplação. Sua contemplação nada tem de fuga ou de um fechar-se em si mesma, mas é uma atitude de vida essencialmente social, porque seus frutos revertem em benefício para toda a Igreja (cf. p. 193). Compreende-se, pois, o título que a Mãe de Jesus recebeu do Papa Paulo VI, no final da 3ª Sessão do Concílio Vaticano II (21.11.1964): Mãe da Igreja: “Para glória da Virgem e para nosso conforto, proclamamos Maria Santíssima «Mãe da Igreja», isto é, de todo o Povo de Deus, tanto dos fiéis como dos pastores, que lhe chamam Mãe amorosíssima; e queremos que com este título suavíssimo seja a Virgem doravante honrada e invocada por todo o povo cristão. Trata-se, veneráveis irmãos, de um título que não é novo para a piedade dos cristãos; porque antes é justamente com este nome de Mãe, de preferência a qualquer outro, que os fiéis e a Igreja toda costumam dirigir-se a Maria. Em verdade, ele pertence à genuína substância da devoção a Maria, achando sua justificação na própria dignidade da Mãe do Verbo Encarnado. (...) Auguramos, pois, que, com a promulgação da Constituição sobre a Igreja, selada pela proclamação de Maria Mãe da Igreja, isto é de todos os fiéis e pastores, o povo cristão se dirija à Virgem santa com maior confiança e ardor, e a ela tribute o culto e a honra que lhe competem.”  
            6. A “noite escura” da humanidade. Von Balthasar, constatando o humanismo ateu do mundo contemporâneo, retoma um tema de S. João da Cruz – o da “noite escura”- e conclui: estamos vivendo numa época caracterizada pela “noite escura coletiva” (cf. p. 226), na qual predomina o racionalismo, isto é, uma cultura envolvida pelo materialismo, pela busca do fazer e do ter. A humanidade precisa se debruçar, novamente, sobre o mistério dos desígnios de Deus. Maria, “a humanidade realizada e o cumprimento da Criação” (p. 228); a primeira discípula, a mãe de Cristo Crucificado e Ressuscitado; Maria, a mãe da Igreja, pode, como ninguém, inspirar a humanidade nesse momento, pois ela dá testemunho do primado do amor – amor recebido, correspondido e repartido.

terça-feira, 21 de maio de 2013

A ORAÇÃO OPERA MILAGRES, DIZ O PAPA


CIDADE DO VATICANO, 20 de Maio de 2013 (Zenit.org) -    Uma oração valente, humilde e forte consegue milagres: esta é a ideia principal que o papa apresentou na manhã de hoje, durante a missa celebrada na Casa Santa Marta. Participaram alguns funcionários da Rádio Vaticano, acompanhados pelo diretor, o pe. Federico Lombardi, SJ.
        A liturgia do dia apresenta a passagem do evangelho em que os discípulos não conseguem curar uma criança. O próprio Jesus precisa intervir e se queixa da falta de fé dos presentes. Ao pai do menino, que pede ajuda, ele responde que "tudo é possível para aquele que crê".
       Conforme o relato da Rádio Vaticano, Francisco ensinou que também os que querem amar Jesus acabam muitas vezes não se arriscando muito na fé, nem se confiando totalmente a Ele: "Mas por que essa falta de fé? Eu acredito que é o coração que não se abre, o coração fechado, o coração que quer ter tudo sob controle".
        É um coração, portanto, que “não passa o controle para Jesus”, disse o papa. E quando os discípulos perguntam a Cristo por que não conseguiram curar o jovem, o Senhor diz que aquela "espécie de demônios não pode ser expulsa de nenhum jeito, a não ser pela oração".
        "Todos nós temos um pouco de incredulidade no nosso interior". É necessária “uma oração forte, e esta oração humilde e forte faz com que Jesus consiga realizar o milagre. A oração para pedir um milagre, “para pedir uma ação extraordinária”, continua o papa, “deve ser uma oração que envolve, que envolve a nós todos”.
       Francisco narrou então um incidente acontecido na Argentina: uma menina de sete anos adoece e os médicos lhe dão poucas horas de vida. Seu pai, um eletricista, um "homem de fé", “fica louco” e, nessa loucura, pega um ônibus até o santuário mariano de Luján, a setenta quilômetros de distância: "Ele chegou depois das nove da noite, quando já estava tudo fechado. E começou a rezar a Nossa Senhora, com as mãos apoiadas na cerca de ferro. E ele orava e orava, enquanto chorava e chorava... E ficou lá durante a noite toda, assim. Mas aquele homem estava lutando: ele lutava com Deus, lutava de verdade com Deus para conseguir a cura da sua filha. Depois, depois das seis da manhã, ele foi para a rodoviária, pegou o ônibus e chegou em casa, e foi para o hospital às nove da manhã, mais ou menos. E encontrou a esposa chorando. Ele pensou no pior. ‘Mas o que aconteceu? Não estou entendendo, não estou entendendo! O que foi?’. ‘É que os médicos vieram e me disseram que a febre desapareceu, que ela está respirando bem, que ela não tem mais nada!’, disse a mulher. ‘Ela vai ficar internada mais dois dias, mas eu não entendo o que aconteceu!’. Isso ainda acontece, viram só? Existem milagres!", afirmou o papa.
         Mas é preciso orar com o coração: "Uma oração valente, que luta para conseguir tal milagre; não essas orações gentis: 'Ah, eu vou rezar por você', e recito um pai-nosso, uma ave-maria e depois me esqueço. Não! Mas uma a oração valorosa, como a de Abraão, que lutava com o Senhor para salvar a cidade; como a de Moisés, que mantinha as mãos levantadas e se cansava, orando ao Senhor; como a de muitas pessoas, de tantas pessoas que têm fé e que oram e oram com a fé. A oração faz milagres, mas nós temos que acreditar! Eu acho que podemos fazer uma linda oração... e dizer hoje, durante todo o dia: ‘Senhor, eu creio, mas me ajuda na minha incredulidade’... E quando nos pedirem para rezar por tanta gente que sofre nas guerras, por todos os refugiados, por todos aqueles dramas que estão acontecendo neste momento, rezar, mas com o coração, para Nosso Senhor: ‘Faz, Senhor!’, e dizer: “Senhor, eu acredito. Mas me ajuda na minha incredulidade’. Vamos fazer isto hoje", convidou Francisco.




quinta-feira, 16 de maio de 2013

VIRGEM UMA VEZ, VIRGEM PARA SEMPRE: O Dogma da Virgindade perpétua de Maria


Que a Virgem de Nazaré, tenha sido mesmo virgem, este é um dado claramente atestado no Novo Testamento. Os Evangelhos de Mateus e Lucas não deixam lugar para dúvidas de que Maria era virgem no tempo de conceber o Filho de Deus.

Vejamos o que diz o dado bíblico:
Em São Mateus 1,18-25 encontramos quatro referências à virgindade da Mãe de Jesus:
v.18 “[...] e, antes de coabitarem juntos, ela ficou  
grávida pela ação do Espírito Santo”.
v.20 “[...] não tenha medo de receber Maria como esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo”.
v.23 “Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho
 [...]"
v. 25. “e, sem que José a tivesse conhecido, ela deu à
luz um filho [...]”.

E o evangelista Lucas 1,34-35 nos diz que: “Maria perguntou ao anjo: ‘Como vai acontecer isso, se não vivo com nenhum homem?’ O anjo respondeu:’ ‘Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com sua sombra. Por isso, o Santo que vai nascer de você será chamado Filho de Deus’”. Veja. A Bíblia usa conhecer para “ter relações”. Ora, Maria aqui diz que não as teve.
Por isso, os primeiros Padres da Igreja e os primeiros credos sustentam se exceção a verdade da concepção virginal. Por que a Igreja sempre insistiu que os cristãos creiam em Jesus ‘nascido da Virgem Maria’? Porque a maternidade virginal de Maria é a garantia da divindade e da humanidade de Jesus.
No Símbolo dos apóstolos, no credo de Nicéia, nos primitivos credos batismais de Roma e África, os cristãos professavam constantemente crer em Jesus ‘nascido da Virgem Maria’. Para os primeiros cristãos, crer em Jesus era crer na virgindade de Maria.
Por tanto, nós católicos professamos que ‘a Santíssima Virgem Maria’, foi virgem antes do parto, no parto e depois do parto. Cremos que somente teve um filho, Jesus, e este foi gerado por obra e graça do Espírito Santo.
Muitos cristãos não católicos, hoje em dia, não compartilham a mesma opinião. Por isso queremos aprofundar esse tema a luz do que a palavra de Deus nos ensina.
Estudaremos agora os argumentos que nossos irmão não católicos utilizam para afirmar que Maria não permaneceu sempre virgem.

   a)  Argumento 1: A Bíblia fala dos irmãos de Jesus
Devido o que a Bíblia fala dos irmãos de Jesus, nossos irmãos não católicos interpretam que são filhos de Maria. Vejamos quais são estas passagem em questão:
“Não é ele o filho do carpinteiro? Não se chama a mãe dele Maria e os seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? E as suas irmãs não vivem todas entre nós?” (Mt 13,55-56).
“Não é este o carpinteiro, o filho de Maria, irmão de Tiago, Joset, Judas e Simão? E as suas irmãs não estão aqui entre nós? E se escandalizavam por causa dele” ( Mc 6,3).
“Chegaram então sua mãe e seus irmãos e ficando do lado de fora, mandaram chama-lo. Disseram-lhe: “Eis que tua mãe, teus irmãos e tuas irmãs estão lá fora e te procuram” ( Mc 3,31-32).
“Todos estes unânimes, perseveravam na oração com algumas mulheres, entre as quais Maria, a mãe de Jesus, e com seus irmãos” (At 1,14).

Se estudarmos mais a fundo a Bíblia poderemos ver que a palavra irmão é utilizada em quatro contextos:

1) Para indicar irmãos de sangue (filhos da mesma mãe e do mesmo pai): como utiliza a Bíblia para definir o parentesco entre Caim e Abel (porque são filhos de Adão e Eva). “O homem conheceu Eva, sua mulher; ela concebeu e deu à luz Caim, e disse: ‘Adquiri um homem com a ajuda de Iahweh. Depois ela deu também à luz Abel, irmão de Caim” (Gn 4,1-2). Neste exemplo Caim é irmão de Abel porque são ambos filhos de Adão e Eva.

2) Para indicar familiares ou parentes: “Abrão disse a Ló: ‘Que não haja discórdia entre mim e ti, entre meus pastores e os teus, pois somos irmãos(Gn 13,8). Nesta passagem vemos Abraão chamando Ló de irmão, quando realmente Abraão é seu tio: “Eis a descendência de Taré: Taré gerou Abrão, Nacor e Arã. Arã gerou Ló.”
      O mesmo sucede com Labão que chama Jacó de seu irmão apesar de ser seu tio (cf. Gn 29, 12-15).

3) Para indicar membros do mesmo povo ou tribo: Naqueles dias, Moisés, já crescido, saiu para ver os seus irmãos, e viu as tarefas que pesavam sobre eles; viu também um egípcio que feria um dos seus irmãos hebreus(Ex 2,11). Nessa passagem vemos que a Bíblia narra como Moisés viu que golpeavam um hebreu, e por ser de seu mesmo povo a Bíblia disse que é um de seus irmãos.

4) Para indicar irmãos espirituais: Ele perguntou: quem é minha mãe e meus irmãos? E, repassando com o olhar os que estavam sentados ao seu redor, disse: ‘eis minha mãe e os meus irmãos. Quem fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe” (Mc, 3,33-35).
             
       Outra evidência que a palavra ‘irmãos’ por si só não significa filhos de uma mesma mãe encontramos em várias passagens do Antigo Testamento:
Não descobrirás a nudez da tua irmã, quer seja filha de teu pai ou filha de tua mãe. Nascida em casa ou fora dela” (Lv 18,9).
O homem que tomar por esposa sua irmã, a filha de seu pai ou a filha de sua mãe, e vir a nudez dela e ela vir a dele comete ignomínia” (Lv 20,17).
Maldito seja aquele que se deita com sua irmã, filha de seu pai ou filha de sua mãe! E todo o povo dirá: amém” (Dt 27,22).
            Nessas passagens se pode ver que a palavra irmão somente não significa filhos dos mesmos pais, e por isso se tem que especificar ‘filha de sua mãe’ ou ‘filho de seu pai’.
            Esta diversidade do uso da palavra irmão é porque no aramaico (que era a língua de Jesus e seus discípulos), não havia um equivalente a primo, primo em segundo grau e outros, de modo que costumava ser usado em vez disso, a palavra "aja" = irmão, e era mais fácil dizer "irmão", que "o filho da irmã de meu pai."
Agora, certamente em grego (a língua em que se encontram os escritos do Novo Testamento), existe um equivalente para primo: "anepsios", mas a palavra "adelphos" (irmão em grego) é frequentemente usada com um significado mais amplo que o de irmão carnal devido à forte influência da língua  aramaica e hebraica na Escritura.
Uma breve conclusão sobre esse primeiro argumento: Quem seriam esses “irmãos” de Jesus então? Seriam os parentes próximos de Jesus. Disso há várias provas: a) é o modo bíblico de falar como vimos nos exemplos acima; b) Tiago e José, chamados em Marcos 6,3 e Mateus 13,55 “irmão de Jesus, são em verdade filhos de outra Maria, como se sabe lendo, mais adiante, Marcos 15,40.47 e 16,1; Mateus 27,56; c) Jesus moribundo não teria confiado sua Mãe ao Discípulo amado (que era filho de Zebedeu) caso tivesse tido outros irmãos carnais.

   b) Argumento 2: Jesus é chamado Primogênito
Vejamos os textos bíblicos usados por aqueles que contestam a virgindade de Maria: Lucas 2,7.22-23:
v.7  e Maria deu à luz o seu filho primogênito [...]”.
v. 22 e 23 - “Terminados os dias da purificação deles, 
conforme a Lei de Moisés, levaram o menino para
Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor, conforme 
está escrito na Lei do Senhor: "Todo primogênito de 
sexo masculino será consagrado ao Senhor."

Como Jesus na Bíblia é chamado primogênito, então os irmãos não católicos interpretam que é o primeiro de outros filhos. Afirmam que se Jesus fosse o único filho de Maria seria chamado unigênito em vez de primogênito, assim como Jesus sendo filho único do Pai é chamado seu unigênito em passagem como João 1,14.18; 3,16.18.
Isso é falta de aprofundamento da palavra de Deus. Pois ‘primogênito’ não é um termo cronológico, de sucessão, de quantidade, ‘primogênito’ é um termo litúrgico. Para os judeus o que importava era cumprir a lei do culto que estabelecia que todo o varão primogênito seria consagrado a Deus e por isso ao seu primeiro filho chamavam primogênito ainda que não sabiam e haveriam de ter mais filhos depois.  
A palavra ‘primogênito’ é utilizada para significar preeminência, predileção, a importância de um filho predileto, consagrado e receptor das bênçãos da primogenitura.
Por fim, veremos o último argumento usado para afirmar que a Virgem Maria teve mais filhos.

  c) Argumento 3: Interpretam que a Bíblia diz que José conheceu Maria portanto tiveram relações sexuais.
          Este argumento se baseia na passagem de Mateus 1,25 donde se pode mal interpretar que José conheceu Maria. Vejamos: “e não teve relações com ela até que ela deus à luz um filho [...]” (Mt 1,25).
           Essa palavra ‘até’ para algumas pessoas significam que não houve nada antes, mas depois de dar a luz sim houve algo. É importante esclarecer que a palavra ‘até’ na Bíblia não sempre significa que depois teve algo. Por exemplo, vejamos alguns textos que mostram isso.
“Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo." (Mt 28,20). Isto significa que Jesus não estará conosco depois do fim do mundo? Não, a passagem não está dizendo isso, somente está fazendo especial ênfase em que não nos abandonará até o fim do mundo.
“E Micol, filha de Saul, não teve filhos até o dia de sua morte” (2Sm 6,23). Será que Micol depois da morte teve filhos? Não, não teve filhos, simplesmente quem escreveu quer colocar ênfase especial em que não teve mais filhos.
Então, em Mateus 1,25 o evangelista não estava afirmando que José conheceu (teve relações) Maria depois de dar a luz, senão estava dando ênfase em que Jesus nasceu sem intervenção de José. 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

A VIRGEM MARIA NO EVANGELHO DE LUCAS



 1. “O Senhor está contigo”

     Agora consideremos o Evangelho segundo Lucas. Vamos estudar mais de perto sua narração sobre a Anunciação (cf. Lc 1,26-38).
      De novo queremos simplesmente ler o texto literal em seu contexto literário. Tal como está escrito, queremos saber o que esta passagem nos diz sobre Maria.
     São Lucas, como São Mateus, apresente Maria como uma virgem desposada com José, um descendente de Davi. É saudada pelo arcanjo Gabriel: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo”.
     A palavra que utiliza o anjo, traduzida as vezes como “ave” ou “alegra-te”, é uma das que os profetas usaram para anunciar ao povo a alegria que traria a vinda do Messias (Cf. Jo 2,23-24; Zc 9,9).
      De fato, parece que o anúncio do anjo é tirado palavra por palavra de uma profecia de Sofonias (cf. Sf 3,14-18; Lc 1, 26-38).

Lucas 1

Alegra-te, cheia de graça
O Senhor está contigo
Não temas Maria
Conceberás em teu seio
O Filho do Altíssimo
Sofonias 3

Rejubila, filha de Sião
O Senhor, o rei de Israel, está no meio de ti
Não temas, Sião
O teu Deus, está no meio de ti
Um herói que salva

     Parece que Lucas está apresentando Maria como a Filha de Sião – a representante de seu povo – chamada a regozijar-se porque Deus, seu Salvador e Rei, veio a ela.
     Então, em Lucas como em Mateus, vemos as esperanças históricas de Israel concentradas na pessoa de Maria. As palavras que os profetas ensinaram a Israel desejar ouvir – Dizei a filha de Sião: Eis que tua salvação está chegando (Is 62,11) – agora são ouvidas por Maria.
     O anjo também diz a Maria que seu Filho será o “Filho do Altíssimo”; e será dado “o trono de Davi, seu pai”.
  Para entender o sentido literal desta passagem, necessitamos voltar ao Antigo Testamento e a história da aliança de Deus com Davi.
     De fato, nas palavras do anjo, escutamos ecos da aliança entre Deus e Davi (cf. 2Sm 7,12-16; Sl 89,4-5; 27-30). Deus jurou que o filho de Davi “será um filho para mim”. E o anjo promete a Maria que seu filho ia ser “Filho do Altíssimo”, outra maneira de dizer: “Filho de Deus” (cf. Mc 5,7; Lc 1,35; 8,28).
   Também, Deus jurou a Davi que seu filho se sentaria sobre seu trono e reinaria “pelos séculos”. O anjo promete a Maria que seu filho se sentará no “trono de Davi seu pai ... para sempre”.
      Maria é apresentada aqui como o “sinal” de que Jesus é o muito esperado Messias da casa de Davi.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

MARIA NO NOVO TESTAMENTO


1.1-                              O que diz o Novo Testamento sobre a pessoa de Maria ocupa apenas alguns versículos. Centram-se nela diversas passagens dos Evangelhos, e refere-se a ela uma passagem nos Atos dos Apóstolos.
Nas Escrituras, Maria aparece em cada etapa da vida de seu Filho: na sua concepção e nascimento, na sua infância, no início do seu ministério, ao pé da cruz, e depois de sua ressurreição e ascensão aos céus. Contudo, na maioria desses casos, somente se menciona a presença de Maria sem se dizer muito sobre ela. Basicamente, isto é o que podemos aprender das Escrituras:
Um anjo anunciou que Maria conceberia Jesus pelo poder do Espírito Santo (cf. Lc 1,26-38). Durante a gravidez, fez uma visita longa a sua parenta Isabel (cf. Lc1,39-56).
Deu a luz a Jesus em Belém (cf. Mt 1,18-25), e estava com Ele quando os magos (Mt 2,10) e os pastores (Lc 2,15-20) lhe renderam homenagens.
Sob a ameaça de perigo, fugiu com seu recém-nascido e com José, seu esposo, para o Egito (cf. Mt 2,14).
Regressa a Nazaré onde vive os anos do crescimento e vida oculta de Jesus (cf. Mt 2,19; Lc 2,39).
Maria apresentou Jesus no Templo (cf. Lc 2,23.33-35). Mais tarde, quando Ele tinha 12 anos, o encontrou ali mesmo ensinando (cf. Lc 2,48-51).
Maria esteve também na Boda de Caná onde Jesus fez seu primeiro milagre (cf. Jo 2,1-11). Também esteve ela em Nazaré quando Ele foi rejeitado por seu próprio povo (cf. Mt 13,54-58; Mc 6,1-6).
Ela o viu morrer na Cruz (cf. Jo 19,25-28), e esteve entre os que estavam reunidos com os apóstolos em Jerusalém esperando Pentecostes e o enviou do Espírito Santo (cf. At 1,14).
Há também algumas menções indiretas a Virgem Maria no Novo Testamento. Por exemplo: uma mulher anônima grita a Jesus: ‘Bendito o seio que te amamentou’ (cf. Lc 11,27-28). São Paulo a menciona, mas não pelo nome (cf. Gl 4,4). E aparentemente ela é a mulher descrita na fantástica visão do último livro da Bíblia (cf. Ap 11,19 -12,18). 

Terço dos Homens na Matriz


sexta-feira, 3 de maio de 2013

Brasil ganhará mais uma beata neste 04.05


Nesse sábado, 04.05.2013, Baependi/Mg
receberá mais de 40 mil visitantes/peregrinos
para a Beatificação de Francisca de Paula de Jesus, Nhá Chica.
Neta de escravos, analfabeta, nasceu em um pequeno povoado da cidade de São João Del Rei, e ainda menina foi morar em Baependi.
A ela são atribuídos mais de 20 mil milagres registrados.


A VIRGEM MARIA NO EVANGELHO DE SÃO MATEUS



1 - ‘...da qual nasceu Jesus...’(Mt 1,16)
            Considere isto uma ‘aula de leitura’. Vamos aprender como ler dos mesmos autores humanos do Novo Testamento. Começamos simplesmente por entender o ‘sentido literal’ ou literário destes textos, o que as mesmas palavras escritas no texto nos dizem de Maria.
           A primeira aparição de Maria no Novo Testamento está no primeiro capítulo, ao final de uma longa genealogia com que começa o Evangelho de São Mateus. Ela é apresentada assim: ‘Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo’ (Mt1,16).
            Temos que ler estas palavras no seu contexto. São as últimas palavras da lista de antepassados que São Mateus reproduz para demostrar que Jesus é o “Cristo, filho de Davi, filho de Abraão”(Mt1,1). Então, para entender o sentido literal deste texto sobre Maria, precisamos saber algo sobre o Cristo, e também sobre Davi e Abraão.
            Abraão foi o pai do povo escolhido de Deus, Israel. Deus fez uma aliança com ele prometendo que por sua descendência, ‘serão abençoadas todas as nações da terra’ (Gn22,18).
            Deus prometeu a Abraão que reis sairiam de sua linhagem (Gn1,6). Mais tarde Deus jurou ao Rei Davi que seu reino nunca terminaria, que o filho de Davi seria Seu filho e reinaria para sempre, não somente em Israel, mas também, sobre todas as nações (cf. 2Sm7,12-13; Sl89,27-28; Sl 132, 4-5.11-12). Mas o reino de Davi entrou em colapso e o povo foi levado ao exílio (cf. Mt 1,11; 2Rs24,14).
            Desde então, os profetas de Israel ensinaram a esperança de um ‘Cristo’ (o ‘messias’ em hebraico). Se esperava que ele seria o filho de Deus prometido a Davi, que livraria as tribos dispersas de Israel e os reuniria em um novo e eterno reino que seria a luz das nações (cf. Is 9,5-6; 49,6; 55,3; Ez34,23-25.30; 37,25).
            Lidas neste contexto, as poucas palavras que São Mateus escreve sobre Maria não são triviais. O evangelista, com uma frase curta, pequena, pôs Maria exatamente no centro ‘da história de Israel’ a história do povo de Deus. Dela nasceu o Cristo através de quem Deus cumpria as promessas de sua aliança com Abraão e Davi.
            Como mãe do Rei-Messias de Israel, Maria necessariamente está colocada no centro da história humana, porque o fruto do seu ventre será a fonte da salvação do mundo. Por Cristo, nascido de Maria, Deus concedeu suas bênçãos divinas sobre todos os povos e nações.

2 – ‘... pelo Espírito Santo’ (Mt 1,18)
            São Mateus continua esse tema nos versículos que seguem ao dizer que Maria ‘se achou grávida pelo Espírito Santo’ (Mt1,18-25). Nos conta que a concepção de Maria pelo Espírito Santo cumpre a promessa que Deus pelo profeta Isaias – que uma virgem conceberá e dará a luz um filho e porás por nome Emanuel, que traduzido significa, ‘Deus conosco’ (cf. Mt1,18.22-23; Is7,14).
            Esta era uma profecia enigmática. Não conhecemos nada que no tempo de Jesus relacionara esta profecia com a vinda do Messias. Alguns rabinos disseram que a profecia se cumpriu na vida do profeta Isaias, quando o rei Ezequias nasceu.
            Ezequias foi um poderoso reformador que fez o que agrada aos olhos de Deus, imitando tudo o que fizera seu pai Davi (cf. 2 Rs18,3). Além disso, diz a Escritura, ‘o Senhor estava com ele’ (cf. 2Rs 18,1-7; 2Cr 29-32).
            Mas são Mateus parece nos dizer que com Ezequias quando mais somente foi um parcial e incompleto cumprimento da profecia de Isaias. O cumprimento perfeito veio com a concepção de Jesus no ventre de Maria por meio do Espírito Santo.
            Maria é ‘a que dará a luz’, como disse Miquéias, na profecia que são Mateus cita (cf. Miq 5,1-2; Mt 2,6). Por Maria, a mãe do muito esperado Messias, ‘Deus está conosco (Emanuel)’. De novo, para entender o sentido literal desta passagem, temos que entender profundamente o contexto que São Mateus assume do Antigo Testamento.
           São Mateus espera que seus leitores escutem nestas palavras a promessa que faz eco em toda a história da salvação – a promessa da divina presença, que Deus um dia viria habitar com seu povo (cf. Is 43,5; Zc 8,23; 2 Cor 6,16-18).
          Se trata de uma das grandes esperanças messiânicas inspiradas pelos profetas. Por exemplo, o profeta Ezequiel profetizou um novo Rei Davi e ‘uma aliança eterna’ em que Deus prometia: ‘a minha Habitação estará no meio deles: eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo’ (Ez 37,24-28; cf. Ap 21,3).
         Escutemos ecos, da profecia do Emanuel de Isaías por todo o Evangelho de São Mateus. Jesus repete várias vezes que Ele estará ‘conosco’ até o fim dos tempos (cf. Mt 18,20; 25,40.45; 26,26-28). As últimas palavras de Jesus, no primeiro Evangelho também fazem eco da promessa: ‘estou convosco todos os dias, até o fim do mundo’ (Mt, 28,20).
            A identificação em Mateus da Virgem Maria com a virgem profetizada por Isaias, uma vez mais, a coloca no centro do plano salvífico de Deus para Israel e para o mundo.
            O sentido literal do texto é que Maria é o sinal divino’ que Deus havia prometido há muito tempo, o sinal de sua lealdade para com a aliança eterna com Davi, o sinal de que Ele veio cumprir o seu plano para com toda a criação. 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

ENCONTRANDO A BÍBLIA NA MISSA



Nosso culto é Bíblico. A Missa é continuação da Bíblia. No Plano Divino de Salvação, a Bíblia e a Missa estão feitas uma para a outra. Talvez isto seja novo para você. De fato, talvez você, igualmente a outros muitos, incluindo muitos católicos, não pensou tanto sobre a relação entre a Bíblia e a Missa.
Se alguém perguntar, ‘o que há entre a Bíblia e a Missa?’, muitos poderiam contestar dizendo ‘não tem muito que ver’. Parece uma resposta óbvia. Sim, escutamos leituras do Antigo e Novo Testamento em cada Missa, e cantamos um salmo entre elas, mas além disse, não parece que a Bíblia seja tão importante na Missa.
No entanto, quando você terminar a leitura deste texto, terá uma perspectiva diferente, - e, ainda um amor e um apreço muito maior – do profundo mistério de fé no qual entramos em cada Missa.
Comecemos de uma vez e olhemos a Missa através de uma nova lente ‘bíblica’. Toda a Missa começa da mesma maneira. Fazemos o sinal da cruz e dizemos: ‘Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’. Notemos que o sinal da Cruz começou com os apóstolos que ‘selaram’ os novos batizados traçando este sinal em suas frontes (cf. Ef 1,13; Ap 7,3; 14.1; Ez 9,3).
As palavras que rezamos quando nos abençoamos vieram diretamente dos lábios de Jesus. De fato, são as últimas palavras que dirigiu a seus apóstolos (cf. Mt 28,19).
Continuando a Missa, o sacerdote nos saúda. Ele fala e nós respondemos, com palavras da Bíblia. Ele diz: “A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo...” (cf. 2Cor13,13) e nos dizemos: ‘Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo’. Ou ainda: o Sacerdote diz: “O Deus da esperança, que nos cumula de toda alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco” (Rm 15,13). O sacerdote pode optar por outra saudação, como: ‘A graça e a paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo esteja convosco’ (Ef 1,2). Ou ainda ‘O Senhor esteja convosco’ e dizemos ‘e com teu espírito’ (cf. 2Tm 4,22), sempre tiradas da Bíblia. Na Sagrada Escritura, estas palavras são a promessa, a proteção e a ajuda do Senhor (cf. Ex 3,12; Lc 1, 28).
A Missa continua assim, como um diálogo entre os fiéis e Deus, mediado pelo sacerdote. O que chama a atenção – e raras vezes reconhecemos – é que este diálogo é feito quase completamente com a linguagem bíblica.
Quando imploramos, ‘Senhor, tende piedade’, nossos prantos pedindo socorro e perdão são ecos da Escritura (cf. Sl 51,1; Br 3,2; Lc 18,13.38.39; Mt 15,22; 17,15; 20,30). Quando glorificamos a Deus, entoamos o hino que os anjos cantaram na noite do Natal, quando Jesus nasceu (cf. Lc 2,14) e os versos seguintes repetem os louvores dos anjos ao poder de Deus do livro do Apocalipse (em especial Ap 15, 3-4).
Até o creio e as orações eucarísticas são compostas de palavras e frases bíblicas. Preparando-nos para ajoelharmos diante do altar, cantamos outro hino angelical da Bíblia, ‘Santo, Santo, Santo...’ (cf. Is 6,3; Ap 4,8). Nos unimos ao salmo triunfante dos que acolheram a entrada de Jesus em Jerusalém: ‘Hosana, Bendito o que vem...’ (cf. Mc 11,9-10). No coração da Missa escutamos as palavras de Jesus na Última Ceia (cf. Mc 14,22-24).
Depois, rezamos a nosso Pai nas palavras que Nosso Senhor Jesus nos ensinou (cf. Mt 6,9-13). O reconhecemos com as palavras de São João, o batista: ‘Eis o cordeiro de Deus ...’ (cf. Jo 1,29-36).
E antes de recebê-lo na comunhão, confessamos que não somos dignos nas palavras do centurião que pediu a ajuda de Jesus (cf. Lc 7,7).
O que dizemos e escutamos na Missa nos vêm da Bíblia. E o que ‘fazemos’ na Missa, o fazemos porque se faz na Bíblia.
Nos ajoelhamos (cf. Sl 5,8; At 21,5) e cantamos hinos (cf. 2Mac 10,7.38; At 16,25); nos oferecemos o sinal da paz (cf. 1Sm 25,6; 1Ts 5,26).
Nos unimos ao redor de um altar (cf. Gn 12,7; Ex 24,4; 2Sm 24,25; Ap 16,7), com incenso (cf. Jr 41,5; Ap 8,4), servido por sacerdotes (cf. Ex 28,3-4; Ap 4,4; 20,6). Oferecemos uma ação de graças com pão e vinho (cf. Gn 1,18; Mt 26,26-28).
Desde o primeiro sinal da cruz até o último amém (cf. Ne 8,6; 2Cor 1,20) a Missa é uma grande colcha de sons e sensações, tecida com palavras, ações e acessórios tomados da Bíblia.
Dirigimo-nos a Deus nas palavras que Ele mesmo nos deu por meio dos autores inspirados da Sagrada Escritura. E Ele por sua vez, vem a nós, instruindo-nos, exortando-nos e santificando-nos, sempre pela Palavra Vida da Escritura.
Você já tinha percebido isso na Missa?