segunda-feira, 23 de maio de 2016

COMO SE FAZ UM SANTO?

Histórico e etapas para que alguém seja reconhecido santo

Nos primeiros três séculos o fato de uma pessoa ser martirizada era suficiente para que se prestasse culto a ela. Era o tempo das perseguições. Ser cristão muitas vezes significava correr risco de vida. Homenagear os mártires era um sentimento espontâneo nas pequenas comunidades de fiéis, pois haviam testemunhado o martírio e comprovado o seu ato supremo de amor a Deus. Mesmo assim era necessário que a autoridade eclesiástica, o bispo, autorizasse tal culto.  Com o passar do tempo e a diminuição das perseguições, começou-se a venerar não só os mártires, mas também os chamados confessores, pessoas que defenderam com firmeza a fé, mas sobreviveram à perseguição, e também aqueles que se distinguiram pelo trabalho apostólico e pelas virtudes heróicas. Obviamente, com o crescimento das comunidades e complexidade na organização da Igreja, ocorreu uma evolução ao longo dos séculos no modo de se constatar a santidade dessas pessoas, até que no século XIII esse exame passou a ter características bem determinadas de um verdadeiro processo jurídico. Atualmente têm-se canonizado crianças, jovens, famílias... Reconhecimento da Igreja que a santidade não está restrita ao clero e vida religiosa, mas todos podem ser santos. Desta forma, todas as pessoas podem se espelhar num santo familiar, com história e vida parecida e ter a certeza que também pode ser santo apesar das dificuldades.
           
COMO SE FAZ UM SANTO?
Duas estradas podem levar à santidade: a do martírio e a das virtudes. Depois de ser provado que o candidato preenche os dois principais requisitos exigidos pelo Vaticano para ser alçado ao panteão dos santos católicos: ter levado uma vida virtuosa e realizado, ao menos, dois milagres – reconhecidos pela Igreja e pela ciência, é, dada à palavra final pelo papa, após consultas a bispos e cardeais.

PRIMEIRA FASE – SERVO DE DEUS
Um processo de canonização só pode ser aberto pelo bispo da diocese em que a pessoa viveu, cinco anos após a morte do candidato. Instalado o processo, ele é alçado ao status de servo de Deus. Um postulador, espécie de "advogado" do santo, é designado pela diocese para defender sua causa. O Vaticano, por sua vez, designa o "advogado do diabo", responsável por apontar eventuais falhas no processo.

 SEGUNDA FASE - VENERÁVEL
Venerável é um epíteto ou título canônico utilizado em várias igrejas cristãs que equivale a respeitável ou digno de estima e honra. Neste momento, o postulador precisa provar a teólogos, historiadores e cardeais do Vaticano que o candidato viveu de forma exemplar as virtudes cristãs ou que morreu em defesa da fé. Se as virtudes ou o martírio forem comprovados, o candidato ganha o título de venerável.

TERCEIRA FASE - BEATO
Do Latim beatus, abençoado, pelo termo grego μακαριος, makarios. É o ato de atribuir o estatuto de Beato a alguém. É o reconhecimento feito pela Igreja de que a pessoa a quem é atribuída se encontra no  estado de beatitude, e pode interceder por aqueles que lhe recorrem em oração.
Os mártires veneráveis só precisam aguardar os trâmites burocráticos para serem nomeados beatos. Os demais ainda precisam provar que realizaram um milagre. A confirmação passa pelo crivo de médicos e teólogos do Vaticano.

ÚLTIMA FASE-SANTO
Canonizado, termo utilizado pela Igreja Católica e que diz respeito ao ato de atribuir o estatuto de Santo a alguém que já era Beato. Para que o beato vire santo, é necessário que se comprove que ele realizou um segundo milagre – e que esse milagre ocorreu depois de sua beatificação. Isso comprovado, o candidato alcança a santidade.

CUSTO DE UM PROCESSO DE CANONIZAÇÃO

Só para confirmar o segundo milagre de frei Galvão que o elevou ao reconhecimento como santo genuinamente brasileiro, a freira postuladora calculou ter gastado 55.000 euros, entre viagens a Roma, exames, consultas médicas e tradução de documentos. 
_____________________________________
Parte de um trabalho escolar feito por Pe. José Carlos de Góis, crl, durante o curso de teologia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário