terça-feira, 25 de outubro de 2016

Terço dos Homens



Observou-se anos atrás em todo o Nordeste, o surgimento de um grande grupo de oração, o grupo dos Homens do Terço. A cada semana no dia e horário marcado lá estavam eles com seu terço nas mãos e muita disposição e alegria para a referida oração.

Com o passar do tempo, apesar de uma organização bem pensada (coordenação, tesouraria e secretaria) houve recaída em todos os lugares. A perseverança sempre é difícil, mas, como diz Jesus: “Feliz aquele que perseverar até o fim, pois será salvo” (Mateus 24, 13).

A ida a Igreja era culturalmente coisa de mulher, mas o movimento ou a pastoral Terço dos Homens quebrou esse tabu. Uns foram convidando outros e, de repente, os amigos tinham sido contagiados por esta linda oração.

Na verdade, dá gosto de ver os homens rezando o terço. Perderam a vergonha dos microfones e, eles mesmos, conduzem todo o momento rezando o terço, apresentando cada intenção, animando com cantos variados, proclamando e partilhando a Palavra de Deus. Que maravilha e encantador é o terço dos homens!

Na condição de padre pude presenciar muitas mudanças, libertações e bênçãos na vida de tais homens e na vida de suas famílias. Muitos deixaram o álcool, o adultério, os jogos e a mania de ficar em frente a uma TV em vez de ir a Igreja. Através do terço eles se achegaram a Igreja para missas e para sua inserção em alguma pastoral ou movimento. Descobriram seus talentos e se colocam a serviço da comunidade.

São Tiago disse que “a fé sem obras é morta” (Tiago 2, 17. 26). Os homens do terço não são pessoas que apenas rezam, mas são pessoas que se solidarizam uns com os outros e promovem campanhas e mutirões para cestas básicas aos carentes e construções ou reformas de capelas e uma casa mais digna aos necessitados.

Os homens do terço são homens de fé e de perseverança e rezam por suas necessidades e pelas situações adversas da sociedade - suplicando e clamando a misericórdia de Deus e sua ação no hoje da história. Dificilmente contam com a presença de seu padre na oração do terço semanal, mas eles estão lá, estão fazendo a sua parte e evangelizando uns aos outros, do seu jeito, mesmo com sua humildade e simplicidade.

 A todos os homens do terço a minha gratidão e reconhecimento por serem parcela da Igreja que “ora et labora” (reza e trabalha). Sejam perseverantes na fé. Nossa missão é de sermos pescadores de homens (Lucas 5, 10b) e não de nos perdermos na caminhada com outras prioridades. Já presenciei grupo que apenas o coordenador apareceu por muitas semanas e sozinho fez a sua parte. Hoje, o grupo que o referido coordenador chegou a rezar sozinho continua a crescer de forma admirável, graças a Deus e a ele que não lavou as mãos ou cruzou os braços, mas confiou que sua semente produziria frutos e, como tem produzido.

Recomendo a participação e interação com os demais grupos do terço de sua paróquia e paróquias vizinhas. Participem das missas, dos retiros, aniversários, encontros e qualquer evento do terço dos homens. É sempre belo presenciar os homens de vários grupos do terço em perfeita sintonia e harmonia. A união faz com que o grupo do terço dos homens seja realmente a grande família. E, pra terminar uma última recomendação: reze o terço nos demais dias da semana, seja sozinho ou, melhor ainda se for com sua família, pois Jesus prometeu: “Onde dois de vocês estivem de acordo sobre qualquer coisa que queiram pedir, ISSO LHES SERÁ CONCEDIDO POR MEU PAI que está nos Céus” (Mateus 18, 19). Planta regada semanalmente pode morrer, mas diariamente, dificilmente morrerá. Oração diária na mesma intenção não ficará sem respostas.

Pe. José Carlos de Gois,

Cônego Regular Lateranense

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